Téo fez de tudo. Repetiu a ideia em movimentos insistentes no espaço entre o pescoço e as orelhas da menina enquanto suas mãos atravessavam os limites impostos pelos bons costumes. Não foi preciso muito mais do que isso para convencê-la de que era uma boa ideia acompanhá-lo até a casa dele, aquela noite. Com uma segurança invejável nos movimentos que beirava a arrogância, Téo supôs que ela não poderia ter outro plano melhor para aquele fim de madrugada. Ele prometeu levá-la para casa antes das oito, que ela tinha almoço de família para ir. Foi o suficiente. Era a pitada de sensibilidade que faltava.
Desde que ele fizera 17 anos, Téo nunca mais passara um fim de semana sozinho. Fazia questão de não contar quantas eram suas conquistas só para se gabar de que já perder a conta há muito tempo. Ele tinha preferências. Gostava mais das tímidas, das que pareciam perdidas, das que nem imaginavam que eram tão atraentes sob a luz negra da boate que ele frequentava. Mas já abrira tantas exceções que não existia mais regra nenhuma. Um dia era a alta, no outro, a magrinha, no outro a ruiva. Num dia, a mocinha colegial, no outro, a coroa que já era avó. As nuances da cama já não lhe surpreendiam mais, mas não deixavam de fasciná-lo a cada nova descoberta.
Com Vanessa, ele conhecera o nome da confusão. Já havia descoberto a única maneira de distinguir Mariana da gêmea Ana Maria. Ele sabia como ninguém que Priscila gostava que lhe puxassem os cabelos da nuca. Fernanda, uma conquista recorrente, às vezes convidava uma amiga, com quem compartilhava mais momentos do que qualquer uma delas com ele. Júlia sussurava romances. Rita urrava palavrões. Anne se esquecia o português e lhe ensinava palavrinhas em inglês que não ensinavam no cursinho. Gabi admirava a quantidade, Suzana, a qualidade. Nayara, a duração, Bete, o ritmo.
Mas não eram os nomes e nem as peculiaridades sexuais que importavam a Téo. Não era a diversidade, nem a experiência, nem o número de mulheres que ele conseguia seduzir. Não era narcisismo, como poderiam fazer supor os espelhos estratégicos posicionados no quarto quase sem expressão. Nem era o reconhecimento de já ser, aos 20 anos, um mestre nas artes da cama. O que movia Téo todos os sábados, o que lhe dava forças para abordar as moças, o que empurrava suas mãos rumo aos segredos mais impublicáveis era simplesmente o medo do escuro. Desde a noite em que acordara de sonhos turvos, três anos atrás, decidira nunca mais dormir sozinho. Desejara com todas as forças nunca mais acordar assustado. Dedicaria cada segundo a nunca mais experimentar um gole sequer de solidão.
Where time stands still
Or moves at your will
Will you let the morning come soon
Or will you leave me lying here
In your favourite darkness
Your favourite half-light
Your favourite consciousness
Your favourite slave
In your room
Where souls disappear
Only you exist here
Will you lead me to your armchair
Or leave me lying here
Your favourite innocence
Your favourite prize
Your favourite smile
Your favourite slave
I'm hanging on your words
living on your breath
feeling with your skin
Will I always be here
In your room
Your burning eyes
Cause flames to arise
Will you let the fire die down soon
Or will I always be here
Your favourite passion
Your favourite game
Your favourite mirror
Your favourite slave
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Um comentário:
Estou começando a virar uma fã dos seus contos. Medo do escuro. Quem diria?
Beijos.
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