Tenha calma, menina. Calma que temos o infinito desse momento. Calma que tudo é pra sempre.
Pra que andar correndo com pressa?
Pra que chegar sorrindo na festa?
Lá fora somos silêncio e som, aqui só uma coisa qualquer em comum.
Pra gente poder se esquecer do que seria.
Pra gente saber se aquecer na noite fria.
Tenha calma que a gente cabe debaixo do cobertor E a gente pode sonhar com a hora do recreio ou com o sol se pondo debaixo da montanha
Pra que fechar a janela se o frio só faz sentido se a gente sente
Pra que pensar em plano se o universo é em alto-relevo?
Deixa eu brincar de primeiro amor e desenhar corações nos seus tornozelos
Deixa eu encontrar os cantos do nosso encanto
Deixa eu escrever uma carta numa folha de caderno de matemática
Deixa eu guardar pra sempre esse papel e esse segredo
Deixa eu transformar em herói e salvar o dia
Deixa eu misturar choro com alegria
Tenha calma que eu te dou mil motivos.
Tira os noves fora da nossa soma que só sobra um, feito de dois.
Deixa as pontinhas geladas dos dedos descansarem na pele.
Deixa as ondas dos cabelos se espalharem no travesseiro.
Pra amanhã, temos o filme e o café
Pra hoje, temos as meias nos pés
Não quero ouvir se é Chico Buarque ou Chico César
Não quero saber de mãe, dona ou Madonna
Calma, não precisa se zangar
Calma, chega um pouco mais pra cá.
Pra eu saber que estamos juntos
Pra você entender que não precisamos de nada que não venha de nós dois
Pra eu te cantar palavras repetidas
Pra você tentar encontrar brechas nos meus argumentos
Pra eu esquecer se é de castanha ou de chocolate
Pra você descobrir que não faz a menor diferença
Pra eu fingir que amanhã não é segunda-feira
Pra você elogiar qualquer coisa pra criar caso
Pra eu inventar nossos futuros e te fazer sorrir
Pra eu ser mais com você e você não ser sem mim.
Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
espera eu considerar
ver se eu vou assim chique-à-vontade
qual o tom do lugar.
Enquanto eu penso você sugeriu
um bom motivo pra tudo atrasar.
E ainda é cedo pra lá
chegando às seis tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
Não tô muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
que há da porta pra lá
Enquanto eu fujo você inventou
qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
(E eu digo, cá entre nós
deixa o verão pra mais tarde)
4 comentários:
Parece uma composição para uma música.
Já pensou no assunto, hein?
**
Fico feliz com a volta. Emtão grande estilo...Pensando assim em todo o resto, seu blog já dá um livro. Daqueles que fazem o adolescente reprido em nós, que queremos sem ainda sermos, adultos.
Seu blog da um seriado que passaria na Tv cultura, bem melhor que confissões de adolescente.
beijos, temos que continuar nossos papos depois;
Que lindo. Adorei. Continuo acreditando "NAQUELA IDEIA" agora, sem acento.
Que lindo. Adorei. Continuo acreditando "NAQUELA IDEIA" agora, sem acento.
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