11 de mai. de 2010

057: Conto Vinte e Cinco - 11-05-10

Quinze

Tenha calma, menina. Calma que temos o infinito desse momento. Calma que tudo é pra sempre.

Pra que andar correndo com pressa?
Pra que chegar sorrindo na festa?
Lá fora somos silêncio e som, aqui só uma coisa qualquer em comum.

Pra gente poder se esquecer do que seria.

Pra gente saber se aquecer na noite fria.


Tenha calma que a gente cabe debaixo do cobertor
E a gente pode sonhar com a hora do recreio ou com o sol se pondo debaixo da montanha

Pra que fechar a janela se o frio só faz sentido se a gente sente
Pra que pensar em plano se o universo é em alto-relevo?


Deixa eu brincar de primeiro amor e desenhar corações nos seus tornozelos

Deixa eu encontrar os cantos do nosso encanto

Deixa eu escrever uma carta numa folha de caderno de matemática

Deixa eu guardar pra sempre esse papel e esse segredo
Deixa eu transformar em herói e salvar o dia
Deixa eu misturar choro com alegria


Tenha calma que eu te dou mil motivos.

Tira os noves fora da nossa soma que só sobra um, feito de dois.

Deixa as pontinhas geladas dos dedos descansarem na pele.

Deixa as ondas dos cabelos se espalharem no travesseiro.

Pra amanhã, temos o filme e o café

Pra hoje, temos as meias nos pés


Não quero ouvir se é Chico Buarque ou Chico César

Não quero saber de mãe, dona ou Madonna

Calma, não precisa se zangar

Calma, chega um pouco mais pra cá.

Pra eu saber que estamos juntos

Pra você entender que não precisamos de nada que não venha de nós dois

Pra eu te cantar palavras repetidas
Pra você tentar encontrar brechas nos meus argumentos

Pra eu esquecer se é de castanha ou de chocolate
Pra você descobrir que não faz a menor diferença

Pra eu fingir que amanhã não é segunda-feira

Pra você elogiar qualquer coisa pra criar caso

Pra eu inventar nossos futuros e te fazer sorrir

Pra eu ser mais com você e você não ser sem mim.


Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
espera eu considerar
ver se eu vou assim chique-à-vontade

qual o tom do lugar.

Enquanto eu penso você sugeriu
um bom motivo pra tudo atrasar.
E ainda é cedo pra lá
chegando às seis tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde

Não tô muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
que há da porta pra lá

Enquanto eu fujo você inventou
qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde

(E eu digo, cá entre nós
deixa o verão pra mais tarde)

4 comentários:

Barbarella disse...

Parece uma composição para uma música.

Já pensou no assunto, hein?

**

Xanda disse...

Fico feliz com a volta. Emtão grande estilo...Pensando assim em todo o resto, seu blog já dá um livro. Daqueles que fazem o adolescente reprido em nós, que queremos sem ainda sermos, adultos.
Seu blog da um seriado que passaria na Tv cultura, bem melhor que confissões de adolescente.

beijos, temos que continuar nossos papos depois;

Unknown disse...

Que lindo. Adorei. Continuo acreditando "NAQUELA IDEIA" agora, sem acento.

Unknown disse...

Que lindo. Adorei. Continuo acreditando "NAQUELA IDEIA" agora, sem acento.