Nos últimos 15 anos, crianças de todas as idades puderam torcer por um grupo de super heróis que são, no fundo, gente como a gente. Viajar em carros animados para um futuro distópico... testemunhar a força dos animais, sejam insetos, ratos cozinheiros ou peixinhos do mar... Enfrentar os bichos-papões e redescobrir a alegria de viver em balões coloridos.... Nada disso seria possível se um grupo de brinquedinhos não tivesse criado vida e saído do baú para desbravar o mundo em um universo de imaginação, formas, cores, movimentos e emoções.
Eu só posso começar a tentar explicar por que Toy Story é tão importante para mim. Mais de quarenta vezes, sem correr risco de exagerar, vi a história do caubói que arrisca sua própria existência como brinquedo para salvar um astronauta alienado. Resgate e rivalidade. De um lado, um líder nato, cuja veia heróica esconde uma insegurança. Do outro, um brinquedo prepotente que não tem medo de testar os próprios limites, mas que se surpreende com as próprias limitações e fraquezas. Entre os dois, uma amizade forte e uma ligação incomum com os sonhos de uma criança. Foi o primeiro filme de animação em computação gráfica que eu assisti. E foi definitivo.
Anos depois, essa tal de Pixar me surpreendeu de novo com uma sequência à altura. Em Toy Story 2, a confiança e a lealdade de Woody foram testadas novamente, e o caubói - mesmo com seu jeito um pouco ranzinza - se tornou um herói para mim. Como minha ligação com o cinema sempre foi maior do que com os quadrinhos, posso dizer que o Woody foi o Superman da minha infância (quem se lembra da minha fantasia de Woody em uma festa, ano passado?). Ele faz a coisa certa, ele nunca desiste, ele sempre está disposto a salvar um amigo, mesmo se esse amigo lhe virar as costas. Ele confia nos seus instintos e na própria atitude, ainda que haja indícios de um fracasso iminente. Quando está certo, ele compartilha glórias. Quando está errado, ele admite sua própria arrogância e se recolhe à insignificância. Isso que faz de Woody um personagem épico.
Nos últimos meses, a estreia de Toy Story 3 tem sido, para mim, um evento histórico. Eu já contava com o fato de poder ver o filme na sessão para a imprensa por causa do meu trabalho, durante essa semana. Eis que, milagrosamente, tenho acesso a entradas para a pré-estreia, promovida pelo Clube de Assinantes do Estado de Minas, empresa em que eu trabalho. Acordar às 9h da manhã de um sábado após uma noitada foi difícil. Mas pelos meus heróis de infância, valia a pena. Woody faria sacrifícios maiores...
Na fila do cinema, cercado de crianças por todos os lados, senti o cheiro da mesma pipoca que estava sobre o meu colo lá nos anos 90, quando vi os primeiros dois filmes da franquia. Não demorou muito. Óculos 3D na cara, ouvi os primeiros acordes de "Amigo, estou aqui" e desabei pela primeira vez na poltrona do Cinemark. E também pela primeira vez, não reclamei do cinema lotado de crianças, porque tinha esperanças de que aquele momento pudesse significar, para elas, o que significou para mim, 15 anos atrás. Não tive vergonha de chorar por estar vendo um desenho. E nem era pelos mesmos motivos que me levaram às lágrimas em Up ou em Wall-E.
Toy Story 3 repete algumas fórmulas - como a do brinquedo que se torna amargo e desiludido após ser abandonado pelo dono - e rebate na tecla da metáfora do lixo, como espécie de destino irreversível para brinquedos velhos e inúteis, no limbo das infâncias ultrapassadas. Mas eu sabia que eu não iria me decepcionar. Woody, Buzz, Sr. Cabeça de Batata, Jessie, Rex, Slinky e Hamm são meus amigos há tempo demais para me desapontarem. Andy é parecido demais comigo para deixar algo a desejar. Mesmo sem John Lasseter na direção, o filme arrancou risadas sinceras e inocentes do menino que estava ao meu lado. Nem preciso dizer que ele, com seus 8 anos, era exatamente como eu, vendo pela primeira vez aquele mundo em mais de duas dimensões. Dessa vez, o meu amiguinho do lado tinha a vantagem de ter no rosto um par de óculos de 3D que pode (ou não) ser o futuro do cinema.
Evitarei dar detalhes sobre o filme e compreendo com certo pesar que Toy Story 3 pode acabar se tornando apenas mais uma animação entre os lançamentos do ano (principalmente com esse tal Shrek 4 - meu deus, pra que isso? - que vem por aí). Mas posso dizer que foi uma manhã épica. É fantástico, bonito, doce, inocente. O clímax é muito empolgante. O filme tem a leveza de Up, a profundidade metafórica de Wall-E, o heroismo humano dos personagens de Os Incríveis e a doçura de Procurando Nemo. Acima de tudo, para mim, o atributo mais especial de Toy Story 3 é a consciência de que as crianças conquistadas no primeiro filme cresceram, assim como Andy.
Apesar de ser acessível e recomendado para gente de toda idade, Toy Story 3 segue a linha da Disney*Pixar: não passa dos limites da inocência e mantem a sutileza mesmo nas piadinhas mais adultas - ao contrário da Dreamworks em Shrek, por exemplo. A terceira parte da história dos brinquedinhos é a recusa deles em serem deixados para trás junto com a nossa infância. Isso não quer dizer que devemos manter nossos brinquedos nas prateleiras até a velhice. A lição é que não podemos jamais nos esquecer de quem fomos quando estávamos ali, brincando com eles. Nesse sentido, minha coleção de Lego, meus Cavaleiros do Zodíaco e meu Mega Drive nunca poderão se queixar. Tudo o que eu faço hoje lembra, de alguma forma, quem eu fui. Cada história que eu escrevo - no blog, no bloco de notas, na vida - é uma lembrança das intermináveis tardes entre a aula de piano e a hora de dormir. Por esse motivo, devo muito a Toy Story. Obrigado, Woody, por ter sido meu herói por 15 anos. Obrigado, Toy Story 3, pelas doces lágrimas desta manhã. Obrigado, Disney*Pixar, por me manter mais pertinho do meu mundo de brinquedo.
Amigo, estou aqui
amigo, estou aqui
se a fase é ruim e são tantos problemas que não têm fim
nunca se esqueça do que ouviu de mim:
'amigo, estou aqui'
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os seus problemas são meus também
E isso eu faço por você e mais ninguém
O que eu quero é ver o seu bem
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os outros podem ser até bem melhores do que eu
Bons brinquedos são
Porém, amigo seu é coisa séria
Pois é opção do coração
O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Eu só posso começar a tentar explicar por que Toy Story é tão importante para mim. Mais de quarenta vezes, sem correr risco de exagerar, vi a história do caubói que arrisca sua própria existência como brinquedo para salvar um astronauta alienado. Resgate e rivalidade. De um lado, um líder nato, cuja veia heróica esconde uma insegurança. Do outro, um brinquedo prepotente que não tem medo de testar os próprios limites, mas que se surpreende com as próprias limitações e fraquezas. Entre os dois, uma amizade forte e uma ligação incomum com os sonhos de uma criança. Foi o primeiro filme de animação em computação gráfica que eu assisti. E foi definitivo.Anos depois, essa tal de Pixar me surpreendeu de novo com uma sequência à altura. Em Toy Story 2, a confiança e a lealdade de Woody foram testadas novamente, e o caubói - mesmo com seu jeito um pouco ranzinza - se tornou um herói para mim. Como minha ligação com o cinema sempre foi maior do que com os quadrinhos, posso dizer que o Woody foi o Superman da minha infância (quem se lembra da minha fantasia de Woody em uma festa, ano passado?). Ele faz a coisa certa, ele nunca desiste, ele sempre está disposto a salvar um amigo, mesmo se esse amigo lhe virar as costas. Ele confia nos seus instintos e na própria atitude, ainda que haja indícios de um fracasso iminente. Quando está certo, ele compartilha glórias. Quando está errado, ele admite sua própria arrogância e se recolhe à insignificância. Isso que faz de Woody um personagem épico.
Nos últimos meses, a estreia de Toy Story 3 tem sido, para mim, um evento histórico. Eu já contava com o fato de poder ver o filme na sessão para a imprensa por causa do meu trabalho, durante essa semana. Eis que, milagrosamente, tenho acesso a entradas para a pré-estreia, promovida pelo Clube de Assinantes do Estado de Minas, empresa em que eu trabalho. Acordar às 9h da manhã de um sábado após uma noitada foi difícil. Mas pelos meus heróis de infância, valia a pena. Woody faria sacrifícios maiores...
Na fila do cinema, cercado de crianças por todos os lados, senti o cheiro da mesma pipoca que estava sobre o meu colo lá nos anos 90, quando vi os primeiros dois filmes da franquia. Não demorou muito. Óculos 3D na cara, ouvi os primeiros acordes de "Amigo, estou aqui" e desabei pela primeira vez na poltrona do Cinemark. E também pela primeira vez, não reclamei do cinema lotado de crianças, porque tinha esperanças de que aquele momento pudesse significar, para elas, o que significou para mim, 15 anos atrás. Não tive vergonha de chorar por estar vendo um desenho. E nem era pelos mesmos motivos que me levaram às lágrimas em Up ou em Wall-E.
Toy Story 3 repete algumas fórmulas - como a do brinquedo que se torna amargo e desiludido após ser abandonado pelo dono - e rebate na tecla da metáfora do lixo, como espécie de destino irreversível para brinquedos velhos e inúteis, no limbo das infâncias ultrapassadas. Mas eu sabia que eu não iria me decepcionar. Woody, Buzz, Sr. Cabeça de Batata, Jessie, Rex, Slinky e Hamm são meus amigos há tempo demais para me desapontarem. Andy é parecido demais comigo para deixar algo a desejar. Mesmo sem John Lasseter na direção, o filme arrancou risadas sinceras e inocentes do menino que estava ao meu lado. Nem preciso dizer que ele, com seus 8 anos, era exatamente como eu, vendo pela primeira vez aquele mundo em mais de duas dimensões. Dessa vez, o meu amiguinho do lado tinha a vantagem de ter no rosto um par de óculos de 3D que pode (ou não) ser o futuro do cinema.
Evitarei dar detalhes sobre o filme e compreendo com certo pesar que Toy Story 3 pode acabar se tornando apenas mais uma animação entre os lançamentos do ano (principalmente com esse tal Shrek 4 - meu deus, pra que isso? - que vem por aí). Mas posso dizer que foi uma manhã épica. É fantástico, bonito, doce, inocente. O clímax é muito empolgante. O filme tem a leveza de Up, a profundidade metafórica de Wall-E, o heroismo humano dos personagens de Os Incríveis e a doçura de Procurando Nemo. Acima de tudo, para mim, o atributo mais especial de Toy Story 3 é a consciência de que as crianças conquistadas no primeiro filme cresceram, assim como Andy.
Apesar de ser acessível e recomendado para gente de toda idade, Toy Story 3 segue a linha da Disney*Pixar: não passa dos limites da inocência e mantem a sutileza mesmo nas piadinhas mais adultas - ao contrário da Dreamworks em Shrek, por exemplo. A terceira parte da história dos brinquedinhos é a recusa deles em serem deixados para trás junto com a nossa infância. Isso não quer dizer que devemos manter nossos brinquedos nas prateleiras até a velhice. A lição é que não podemos jamais nos esquecer de quem fomos quando estávamos ali, brincando com eles. Nesse sentido, minha coleção de Lego, meus Cavaleiros do Zodíaco e meu Mega Drive nunca poderão se queixar. Tudo o que eu faço hoje lembra, de alguma forma, quem eu fui. Cada história que eu escrevo - no blog, no bloco de notas, na vida - é uma lembrança das intermináveis tardes entre a aula de piano e a hora de dormir. Por esse motivo, devo muito a Toy Story. Obrigado, Woody, por ter sido meu herói por 15 anos. Obrigado, Toy Story 3, pelas doces lágrimas desta manhã. Obrigado, Disney*Pixar, por me manter mais pertinho do meu mundo de brinquedo.
Amigo, estou aqui
amigo, estou aqui
se a fase é ruim e são tantos problemas que não têm fim
nunca se esqueça do que ouviu de mim:
'amigo, estou aqui'
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os seus problemas são meus também
E isso eu faço por você e mais ninguém
O que eu quero é ver o seu bem
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os outros podem ser até bem melhores do que eu
Bons brinquedos são
Porém, amigo seu é coisa séria
Pois é opção do coração
O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
4 comentários:
"amigo estou aqui...". até hoje eu choro com essa música. amo, até hoje, as animações, mas confesso que elas perderam essa coisa tão aconchegante que tinham há um tempo atrás.
ou talvez a gente tenha crescido e perdido um pouco da inocência, né?
lindo texto.
Sem comentários....(suspiros)
Quando foi lançado Toy Story eu já tinha 18 anos. (fiquei chocada com a minha idade agora hahaha :P)
Até hoje é o meu desenho favorito da Pixar. Mas, ao contrário de você, o "meu" personagem é o Buzz. Acho que nessa época eu já tinha uma visão mais irônica do mundo bem formada e achei o astronauta alienado realmente muito bom. As piadas que mais dei risada foram em momentos com o Buzz.
Toy Story é um daqueles grandes marcos da nossa geração. Não dá pra esquecer aquele primeiro contato nunca! Infelizmente não tive a oportunidade de ver o primeiro filme no cinema. Foi em VHS mesmo. Nem por isso ele perdeu sua força!
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