- Dá licença, mas eu tinha que vir falar com você. Desculpa, mas você é exatamente igual à Isabel..
- Que isso, cara, tá doido?
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- Não, é verdade. Foi mal, eu sei que já é batida essa cantada de que "eu já te conheço de algum lugar" mas no seu caso... é verdade. Você é igual à Isabel.
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- Tá. Então vai procurar a Isabel.
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- Cê não entendeu, ela não existe. A Isabel é uma personagem que eu criei. E você tem exatamente as características dela. Só que ela não usaria essa blusa não porque ela não gosta muito de rosa. E ela usa All-Star.
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- Ham?
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- É porque você tá de sandália. E ela viria numa festa assim de All-Star.
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- ??
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- Desculpa, to estragando sua festa, vou voltar ali e continuar te olhando de
longe.
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- Não, espera. Me fala aí dessa Isabel. Quem é essa menina?
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- É uma personagem que eu escrevi uma vez. De um conto. Escrevo contos, essas coisas, e publico num blog. O problema é que esse eu nunca consegui terminar, daí não publiquei ainda, sacou? Por isso que eu preciso da sua ajuda.
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- Como assim?
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- Ué! Você é a cara da Isabel. E parece com ela na personalidade também.
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- Como é que você pode saber isso?
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- Acredite: eu conheço a Isabel muito bem. E se você parece com ela, talvez você possa me ajudar a terminar a história.
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- Hahaha, você tá zoando comigo.
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- Não, é sério! Se não fosse eu não teria vindo conversar com você.
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- Tem certeza que não tá tentando me cantar?
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- Não, que isso, só quero sua ajuda pra saber o final da história mesmo. Se eu tivesse te cantando, teria chegado em você e perguntado se você tá curtindo a festa, mesmo que eu soubesse que você não tá muito animada, já que não tá dançando com suas amigas ali.
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- Tá. Então me fala a história da Isabela.
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- É Isabel. Então, ela tava num show. Ela tinha acabado de terminar o namoro com André. É porque ela tava um pouco cansada de ficar com ele, nunca entendi muito bem a decisão dela. Quer dizer, entender eu entendi, porque eu que escrevi, né? Mas nunca consegui justificar muito bem. Acho que é porque o André é o tipo de cara que eu nunca vou ser, sabe? Tipo, ele é bonitão, chama atenção sempre, sabe falar bem em público, é muito seguro de si, e ele joga tênis.
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- Ele joga tênis? Hahaha. E o que é que isso tem a ver? Por que você queria ser assim?
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- Não é o tênis em si. É o fato de que ele tem uma coisa de diferente dos outros caras e isso chama atenção. No caso dele, chama muito mais atenção, e isso eu realmente não sei explicar porque não sou mulher. Mas sei reconhecer um desses quando vejo.
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- E ela terminou com ele por que mesmo?
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- Pois é. Eles brigaram. Eu ia inventar que ele traiu ela, mas acho que ia ser meio paia ne. Até porque eu não quero que ele saia como o vilão da história. Mas de qualquer forma, eles terminaram depois de um ano e três meses e ela foi pra esse show acompanhar umas amigas, mas ela nem gostava muito do tipo de música que tava tocando, daí ela ficou lá meio no canto, olhando o povo passando. Daí o olho dela encontrou o olho do Ricardo.
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- Ah, saquei, é o cara que ela tava a fim, por isso que ela terminou com o André.
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- Não, ela não ficaria afim fácil de um cara tipo o Ricardo não. Ela acha que ele não faz o tipo dela, apesar de achar ele gente boa e tudo. Ela conhece ele da escola, mas ele nunca passou de amigo, saca? Na verdade, ele é mais o tipo amigo. E isso é uma droga, pra ele.
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- Entendi. Então é ele que é afim da Isabel?
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- Afim? O cara é louco por ela. Totalmente mesmo. Mas enfim, ele nunca falou nada porque é amigo do André. E também porque nunca teve coragem e nunca pensou numa coisa interessante pra falar. E ele também sabe que ela não pegaria um cara tipo ele. Só que nesse dia era diferente. E nem é porque ela tava fragilizada e um pouco bêbada não. É só que bateu, sabe? Tipo, ela simplesmente olhou pra ele aquela hora e ele também tava olhando e ela constatou que ele já tava olhando pra ela há muito tempo e meio que entendeu que poderia dar uma chance pro cara. Só que obviamente ela não ia falar nada com ele. Eu acho isso esquisito né. Tipo, mulher não pode tomar iniciativa. Seria muito útil em alguns casos.
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- Ah, mas não seria a mesma coisa.
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- Claro que não. Seria melhor. Imagina quantos caras tão aí loucos pelas meninas mas sem coragem pra falar. Às vezes o cara é muito legal, perfeito pra ela, mas simplesmente não consegue quebrar o gelo. Porque é o mais difícil. Depois da primeira frase, a coisa flui normalmente, até pros mais tímidos. Mas começar uma conversa é foda.
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- Sei...
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- Então, daí a Isabel não fala nada com o Ricardo, até porque ela acabou de terminar, se o povo visse ela tomando iniciativa iam achar que ela só estava fazendo pra esquecer o André, ou pra se vingar dele, o que quer que ele tenha feito. E também ela tinha receio do povo achar que ela tava piriguetando no show. Mas seria ok se o Ricardo viesse falar com ela. Mesmo se ele não tivesse afim ou nada do tipo, seria legal conversar com alguém que também não estava curtindo aquele som muito.
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- E aí?
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- Pois é. Foi onde eu parei. Eu sei que falando assim parece uma história meio boba, mas eu gosto de escrever sobre essas coisas simples.
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- Entendi.
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- E então? O que que acontece agora?
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- Ah, acho que o Ricardo pode passar perto dela e olhar pra ela de um jeito mais assim e tal.
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- Acho que não. Ele já fez isso umas três vezes e ela nem notou. Acho que ele ficou inseguro agora.
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- Mas ele não viu ela olhando pra ele?
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- Ela olhou uma vez só né. Ele pensou que fosse coincidência.
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- Tá. Então ele vai fazer o seguinte, vai tomar uma decisão na vida e vai lá falar com ela.
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- Ele poderia até falar isso, mas o que ele falaria? Cê tem que lembrar que ele é meio inexperiente e muito tímido. E ele também não ia querer falar alguma coisa idiota né.
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- Cara, se ele realmente quiser falar com ela, ele encontra um jeito. E não vai ser idiota.
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- Mas você não tá ajudando. Diz você? O que seria legal ouvir de um cara que você mal conhece em uma festa?
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- Seria bem legal se ele viesse falando uma coisa bem original tipo... "você se parece com uma personagem minha".
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- É mesmo? Então vou te contar uma coisa... A Isabel não chama Isabel de verdade. O nome verdadeiro dela é outro.
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- E qual é?
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- ?
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- Juliana. Haha.
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- E o Ricardo também não chama Ricardo. Ele é o Gabriel. Agora... sabe que eu nem sei mais se a Isab... ops, a Juliana... Será que ela tá mesmo triste no canto da festa porque terminou com o André?
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- Não. Acho que ela só tá um pouco cansada mesmo. Mas já tá passando.
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- Hm. Então, ele se aproxima dela e conta toda essa história pra ele. Ele tá tentando esconder, mas tá tremendo um pouco, porque raramente é capaz de ficar tanto tempo conversando com uma semi-desconhecida assim. Principalmente uma bem bonita tipo a Juliana. Na verdade ele nem acredita que conseguiu falar que ele era bonita na frente dela.
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- Ainda bem que ele falou né.
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- Então, mas aí a história ainda não acabou, né. Tipo, o que acontece depois dessa aproximação sem jeito do Gabriel?
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- Não sei...
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- E se... sei lá... talvez a Juliana pudesse dar um sinal de que ela achou o Gabriel legal e que ele pode... sei lá... esquecer que ele é tímido, desajeitado e um pouco feio.
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- É... daí ele pode se sentir um pouco mais seguro né.
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- Isso. E quem sabe ele pode até... tentar beijar ela.
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- Acho uma boa ideia.
Queria descobrir
Em 24 horas tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria
12 comentários:
Realmente inspirado.
Eu conheço essa história.. Mas tendo a não achar legal o final feliz assim... prefiro o outro jeito, com a outra menina...
ué, lu, n sei se eu entendi ahah. de qualquer forma, a Juliana é uma vadiada. então não é só um final feliz. é uma exceção feliz, porque o Gabriel é um menino legal (piadas internas).
q outro jeito?
Ah.. queria ter um dia de juliana.
Adorei o conto...quem sabe ne? Adorei que vc voltou..mas tem muita piada interna nesta história, fico com ciúmes!!!
Você realmente devia ter sido o menino de 19 anos que fez um filme com um uísque rifado.
Essas histórias são as que rendem os melhores, mais fofos e inesquecíveis filmes do indie =)
Muito gostoso de ler mesmo!
(Mudando de assunto, juro que ainda vou descobrir como faz pra te mandar seu presente)
Bom, a despeito das piadas internas (!!!) a situação foi ótima!
Eu sou do tipo que me renderia a uma investida como a do Grabriel ou o Ricardo! Seja lá quem for!
Muito mais original do que rir sobre um episódio de hospital, queijo e dor de barriga... Enfim!!
Mas se você falou que a Juliana é vaida, eu endosso!
tudo isso aí.. gostei sem base
É realmente uma cantada original, do tipo que vale dar uma chance. Não se vê muitas dessas por aí.
Estou dando uma olhada por aqui e adorando seus contos.
Beijos.
eu tb quero um dia de juliana. Nao quero ser parada pra ser convidada pra ser atriz de filme porno.
=/
Precisava ler isso!
Ai que lindo!!!!!! <3
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