13 de nov. de 2008

032: Navegar

Sei que está em festa, pá
Fico contente

E enquanto estou ausente
guarda um cravo para mim


Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
e colher pessoalmente

uma flor no teu jardim


Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar

Sei, também, que é preciso, pá
navegar, navegar


Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
algum cheirinho de alecrim


Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
ainda guardo renitente

um velho cravo para mim


Já murcharam tua festa, pá

Mas certamente

esqueceram uma semente
nalgum canto de jardim


Sei que há léguas a nos separar

Tanto mar, tanto mar

Sei, também, quanto é preciso, pá
navegar, navegar


Canta primavera, pá
Cá estou carente
manda novamente

algum cheirinho de alecrim


*Tanto mar - Chico Buarque. Ouvida entre outras canções pela voz de minha mãe, enquanto brincava de lego. o ano eram muitos.

4 comentários:

sblogonoff café disse...

Cara, acho que é por causa do período cíclico que estou... Chorei.
A mamãe cantando é uma das coisas que mais sinto falta, e nem é porque estou aqui. É porque o tempo passou. Tanto mar...

Elga Arantes disse...

Dele, (do Chico), lembro da minha (minha mãe)cantando "Brejo da Cruz":

A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz
Eletrizado
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil
Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues
Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem
São jardineiros
Guardas-noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
São faxineiras
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz

Hoje, fã sem noção do Chico Buarque, vejo que ela cantava tudo errado. Canta, até hoje. Nunca tive coragem de consertar. É lindo essa música adornada com a inocência da minha mãe...

Elga Arantes disse...

Ah, respondi seu comentário lá em casa, mas como não sei se voltou lá...


Otávio, Fiquei curiosíssima com a história do bonequinho de neve que só "servia" no natal. Ela já tem um final, que depois vc continua a contar, ou vc ainda não decidiu o final do tal personagem?
Sua maneira de falar "por que será que eu falei isso?", lembrou-me muito a Michele.
Eu acho que vc falou isso porque é aqui o espaço ideal para falar o que se quer, da maneira que desejar, sem se preocupar quase nada com as causas e fingir que não liga para as consequências.

Beijos.

Welker disse...

Bons tempos, velhos tempos... :T