11 de out. de 2008

029: Top 5 #1

Que diabos é Skank?

Com o desafio de criar um top5 de músicas da Madonna na cabeça, voltei a pensar em listas, um vício que eu tinha abandonado desde que eu comecei a ver as listas do Nuno e perceber que as minhas eram tipo, nada, perto das dele, sempre embasadas e com um material de pesquisa sensacional que justificam bem os tops. Mas como vício é vício, comecei a fazer tops incessantemente. Mas com temas muito específicos (nem me lembre da lista dos melhores filmes de adolescentes de 1986 que fiz certa vez). Era "5 melhores filmes mainstream em espanhol desde o ano 2000", "5 melhores power-ballads do Bon Jovi desde Never Say Goodbye" e coisas do gênero. Mas no meio do caminho, um outro assunto me chamou muito a atenção. Dirigindo-me para uma coletiva c
om a banda Skank na tarde de hoje, percebi que sou um grande fã dos fab-four de BH e que conheço quase-que-muito-bem todos os álbuns do grupo (menos o último, Estandarte, lançado esse mês, que está sendo baixado nesse momento e que era o motivo da coletiva - o lançamento nacional do disco ocorre no domingo).

O release fantástico da coletiva já era bastante animador. Chegando lá, a simpatia de Henrique, Lelo, Samuel e Haroldo (por trás da cara de mau ele é legal) alimentou ainda mais os meus ensaios mentais, procurando na mente todas as referências aos singles e b-sides preferidos desde o álbum Skank, de 1993. Um filme se fez na minha cabeça. Eu, moleque, ouvindo Skank pelas rebarbas de trilhas sonoras globais das novelas dos anos 90. Lembro até de um show do Criança Esperança em 94, que eu só queria ver eles cantando o hit Indignação. Enfim, de uma banda com influências que iam dos óbvios Beatles, da sonoridade do Clube da Esquina e das levadas que misturavam o dancehall jamaicano com o ska passando por um amadurecimento vocal, instrumental e poético até chegar na trilogia britânica, como é conhecida a sequência de álbuns composta por Maquinarama (2000), Cosmotron (2003) e Carrossel (2006), Skank é um hitmaker. Vários número-1 nas paradas, que agradam o adolescente micareteiro até o senhor de meia-idade saudosista, que se lembra da música que tocava pelas ruas de uma Belo Horizonte de outras épocas.

Mas por que mesmo eu estou fazendo um top sobre músicas do Skank? Bom, porque, como eu dizia antes, todo mundo sabe pelo menos um refrão de pelo menos uma música de pelo menos um cd da banda, não importa qual a "fase". Por isso que as coletâneas deles, como o MTV ao Vivo em Ouro Preto, fazem tanto sucesso, embora os próprios integrantes do grupo insistam que não gostam tanto assim de olhar pra trás e viver de glórias passadas. E é assim, agregando novos elementos eletrônicos, ou retomando batidas passadas, reacendendo parcerias de produção ou mantendo Chico Amaral e Nando Reis como principais letristas, que a banda chega ao décimo cd.

Indo agora ao que realmente interessa, depois de dois mil parágrafos, eis o top músicas (preferidas, minhas) do Skank.

5 - RESPOSTA
(Samuel Rosa/Nando Reis)
Em 1998, o álbum Siderado veio para provar que o Skank poderia ser o que quisesse. Substituindo os metais e a levada reagge estilo Paralamas do Sucesso bem característica dos álbuns anteriores (sobretudo o premiadíssimo e cult O Samba Poconé), as guitarras vieram servir de base para um vocal mais calmo e maduro de Samuel Rosa. A gravação das faixas foi no Abbey Road Studios e os produtores britânicos definiram uma identidade sonora marcante para as letras de Chico Amaral, Rodrigo Leão e Yuka. Mas foi justamente a faixa 3, única participação de Nando Reis nesse álbum, que o Skank atingiu a grande glória. Resposta era a única música orquestrada do disco e se tornou um dos maiores, senão o maior, sucesso do grupo até hoje. Não há quem não saiba o refrão da canção, ou quem não a saiba tocar no violão. Uma das baladas mais nostálgicas da banda, em que é possível perceber nitidamente as influências do Clube da Esquina (e Beatles, por conseqüência). Perfeita harmonia de letra e música, em lá maior.
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4 - MIL ACASOS
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Simples e alegre, sintetizadores, baterias, letra agradável. Era para ser apenas mais um hit da banda. Segue nos mesmos moldes dos outros singles do álbum Carrossel (Seus Passos e Uma canção é para isso), e não contradiz as influências de uma música britânica imposta pelos últimos três discos. Parecida com todo o material que os fãs mais recentes puderam reconhecer. Mas algo é especial em Mil Acasos: sua despretensiosidade. Dos poucos videoclipes da banda, esse parece ser o mais criativo. E ilustra muito bem uma música sensacional, com detalhes realmente geniais na letra ("mil acasos me dizem o que sou: ateu praticante ocidental" e etc). Enfim, é um musicão vestido de hit pop.
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3 - ELA DESAPARECEU
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
O disco Maquinarama, de 2000, é uma verdadeira fábrica de hits. Era música em novela, em rádio, em elevador, para todos os gostos. Certamente, o álbum mais cosmopolita. Pela primeira vez, quase nenhum instrumeto de sopro, nada de futebol... Mas foi justamente um dos singles, quase um B side por ter sido ofuscado por Três Lados e Balada do Amor Inabalável, que mais chamou a atenção. Henrique Portugal sai dos teclados e assume uma guitarra firme, em perfeita harmonia com a de Rosa. Gravada aqui mesmo em BH, Ela desapareceu tem tudo o que o Skank sabe fazer de melhor: letras complexas em melodias simples, modulações de acordes e um refrão sensacional. Tem também uma frase que eu nunca consegui compreender: "com mil disfarces úteis tudo se resolveu na areia, onde fazem casa os avestruzes".
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2 - É TARDE / BALADA DO AMOR INABALÁVEL
(Samuel Rosa/Chico Amaral)/(Samuel Rosa/Fausto Fawcett)
Uma vem do Cosmotron, o mais pop dos álbuns do Skank. A outra do versátil Maquinarama. POdem até dizer que são diferentes, mas pra mim essas duas músicas são primas-irmãs. É tarde é um B-side escondido entre as novelísticas Vou deixar e Amores Imperfeitos, mas traduz uma calmaria que nem em Resposta o Skank conseguiu musicar. Nostálgica e romântica, a canção traz uma bateria eletrônica abafada e um teclado insistentemente melancólico, além do vocal duplicado de Samuel Rosa em uma escala inferior à dos refrões bradados de outrora. E é exatamente nisso que ela é tão parecida com a Balada do amor inabalável. Os elementos todos também estão ali, a letra que fala de um amor solitário, o beat acelerado eletrônico, o solo do teclado... Não há como não colocar as duas baladas estilo Oasis empatadas.

1 - ALI
(Samuel Rosa/Nando Reis)
Experimente cantar Ali sem consultar a letra ou ouvir o acompanhamento da faixa: certamente você cairá numa das inúmeras pegadinhas da letra genial de Nando Reis. Ao contrário do que se pensa, Ali não foi um single do álbum Maquinarama, mas pela sua sofisticação e complexidade, foi incluída nas duas coletâneas oficiais do grupo: o cd MTV Ao Vivo em Ouro Preto e a compilação Radiola, de 2004. A insistência deu certo: a pedido dos fãs, a música volta ao setlist no novo show da banda. Ali é uma letra típica de Nando Reis: o ouvinte desatento canta sem saber exatamente do que está falando. Mas quem para um minuto pra analisar, percebe que a história contada pela canção é bem simples, mais um caso de amor chega ao fim. Um brinde à genialidade e às possibilidades da língua portuguesa, um brinde a Caetano Veloso no refrão. Uma música em Ré sempre ajuda...

Ouça também, em ordem cronológica:
Tanto, Let me try again, Te ver, Eu disse a ela, Canção Noturna, A última guerra, Três lados, As noites, Formato mínimo, Dois rios, Amores imperfeitos, Seus passos


3 comentários:

Anônimo disse...

Eu assino embaixo de quase tudo...Ali nem precisa comentar ...Ela desapareceu sem chance pra mim ela é segundo lugar...Gosto de mil acasos mas ainda estou analisando acho que sou mais tanto ou a última guerra..mas isto não vai se resolver muito cedo depende do dia. heheheh
depois de ler aqui passei a manhã escutando skank..Eles são (usando uma palavara que se repete no seu texto)sensacionais, mas bem disfarçados pelo pop rock nacional!!

sblogonoff café disse...

Ei!
Gostei do estilo matéria de revista que você deu, e você sabe como gosto de Skank (depois de Maquinarama!).
A matéria realmente ficou muito boa, mas vim pedir, como sua leitura assídua, que não páre (com acento porque gosto de acentuar!) de fazer os contos.
É que acho que neles eu posso ver sua alma, saber o que vai lá por dentro e sentir orgulho de encontrar pedras preciosas!
Eu adoro seus contos. Coloca as listas no teatro! :|
Ó, eu dando pitaco!!!!

Unknown disse...

Eu gosto mais de Resposta que de Balada do Amor inabalável, mas com o resto eu concordo! E Ali é de longe top 1! haha