O fim
Não tinha mais jeito. Léo conhecia Diana bem demais para saber que qualquer palavra que ele dissesse só tornaria as coisas ainda piores e serviria para ela como mais uma desculpa para sua decisão súbita de partir. Ainda assim, ele gostaria de poder acreditar que aquilo tudo fosse apenas uma crise, como as muitas que o casal já tivera em três anos de relacionamento. Léo estava em silêncio enquanto a observava colocar na mala as roupas preferidas. Em sua mente, já havia sido superada a fase da negação e ele nem mesmo conseguia pensar em um argumento que parecesse bom o suficiente. Não havia culpa, portanto, não precisava de desculpas. Não podia se lamentar pelo que fizera de errado, porque nem mesmo conseguia perceber em sua conduta qualquer coisa que a pudesse ter desagradado. Mas estava quase conformado que é assim que as coisas são. É a vida.
Se fumasse, acenderia um cigarro e saborearia o amargo da fumaça como uma punição pelo que ele não havia podido ser, para ela. Pelo espelho do banheiro, Léo viu lágrimas descerem do rosto de Diana, mas, por mais que lhe doesse, sabia muito bem que a frustração dela era consigo mesma, por não ter conseguido esconder a falta de amor e não ter podido lidar com o amor dele. Quase sempre sufocante, quase sempre tão intenso e quase sempre desprovido de pudor e culpa. Ele sim, sabia muito bem como amar. Ela era o problema. Assumir a diferença em palavras, portanto, seria jogar a relação dos dois no abismo dos clichês.
Diana e Léo. Esse casal de quem a gente tinha inveja, de tão certos, tão parecidos, tão diferentes, tão bonitos, tão autênticos, tão apaixonados, tão práticos, tão exagerados. Ficavam bem nas fotos espontâneas enquanto todos os amigos colecionavam poses constrangedoras. Faziam uma bela dupla no Imagem & Ação. Seus filhos teriam a beleza da mãe e a inteligência do pai e passariam férias em verões chuvosos em Búzios, sem espaço para a tristeza. Não havia chances daquilo dar errado. Não, se fosse em um livro. Eram o casal perfeito dos finais felizes e das fotografias expostas nas vitrines em molduras impecáveis. Mas, das aventuras da ficção, caíam irreversivelmente na insustentável - e real - natureza do fim.
Your day breaks, your mind aches,
You find that all her words of kindness linger on,
When she no longer needs you.
She wakes up, she makes up,
She takes her time and doesn’t feel she has to hurry,
She no longer needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
You want her, you need her,
And yet you don’t believe her,
When she says her love is dead,
You think she needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
You stay home, she goes out,
She says that long ago she knew someone but now,
He’s gone, she doesn’t need him.
Your day breaks, your mind aches,
There will be times when all the things she said will fill your head,
You won’t forget her.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
Não tinha mais jeito. Léo conhecia Diana bem demais para saber que qualquer palavra que ele dissesse só tornaria as coisas ainda piores e serviria para ela como mais uma desculpa para sua decisão súbita de partir. Ainda assim, ele gostaria de poder acreditar que aquilo tudo fosse apenas uma crise, como as muitas que o casal já tivera em três anos de relacionamento. Léo estava em silêncio enquanto a observava colocar na mala as roupas preferidas. Em sua mente, já havia sido superada a fase da negação e ele nem mesmo conseguia pensar em um argumento que parecesse bom o suficiente. Não havia culpa, portanto, não precisava de desculpas. Não podia se lamentar pelo que fizera de errado, porque nem mesmo conseguia perceber em sua conduta qualquer coisa que a pudesse ter desagradado. Mas estava quase conformado que é assim que as coisas são. É a vida.
Se fumasse, acenderia um cigarro e saborearia o amargo da fumaça como uma punição pelo que ele não havia podido ser, para ela. Pelo espelho do banheiro, Léo viu lágrimas descerem do rosto de Diana, mas, por mais que lhe doesse, sabia muito bem que a frustração dela era consigo mesma, por não ter conseguido esconder a falta de amor e não ter podido lidar com o amor dele. Quase sempre sufocante, quase sempre tão intenso e quase sempre desprovido de pudor e culpa. Ele sim, sabia muito bem como amar. Ela era o problema. Assumir a diferença em palavras, portanto, seria jogar a relação dos dois no abismo dos clichês.
Diana e Léo. Esse casal de quem a gente tinha inveja, de tão certos, tão parecidos, tão diferentes, tão bonitos, tão autênticos, tão apaixonados, tão práticos, tão exagerados. Ficavam bem nas fotos espontâneas enquanto todos os amigos colecionavam poses constrangedoras. Faziam uma bela dupla no Imagem & Ação. Seus filhos teriam a beleza da mãe e a inteligência do pai e passariam férias em verões chuvosos em Búzios, sem espaço para a tristeza. Não havia chances daquilo dar errado. Não, se fosse em um livro. Eram o casal perfeito dos finais felizes e das fotografias expostas nas vitrines em molduras impecáveis. Mas, das aventuras da ficção, caíam irreversivelmente na insustentável - e real - natureza do fim.
Your day breaks, your mind aches,
You find that all her words of kindness linger on,
When she no longer needs you.
She wakes up, she makes up,
She takes her time and doesn’t feel she has to hurry,
She no longer needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
You want her, you need her,
And yet you don’t believe her,
When she says her love is dead,
You think she needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
You stay home, she goes out,
She says that long ago she knew someone but now,
He’s gone, she doesn’t need him.
Your day breaks, your mind aches,
There will be times when all the things she said will fill your head,
You won’t forget her.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
3 comentários:
Belíssimo texto. E não teria música melhor para ilustrá-lo.
Amo essa música. Adivinhei que seria ela no final, enquanto lia o texto. E agora me deu vontade de ouvir.
"And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears cried for no one"
Ótimo texto, como sempre. Beijos.
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