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Florianópolis, 13 de setembro de 1994Querida Rosa,
Os últimos vinte e três dias passaram como odisséias intermináveis nas voltas dos ponteiros do relógio. Desde que soltaste de minhas mãos no terminal rodoviário, a sensação do teu toque vai se desvanescendo, assim como tua imagem fulgurante em minha mente...
Queria que tivesses me pedido pra ficar. Mas sei que não o farias jamais, sabendo de minhas melhores condições de trabalho aqui no sul. Queria que tivesses implorado a minha presença e sabes bem que, se pedisses, eu pegaria o primeiro vôo para estar contigo. Creio que é também por isso que não o fazes, à parte de teu orgulho agridoce. Nunca soube lidar contigo. Confesso-te que tenho medo de ti, e de que, com teus olhares distantes, procurando não pensar em mim para não alimentar em si ilusões que não são deste mundo, deixes de demonstrar teu afeto. E como eu preciso... Sempre soubeste de minha carência, e eu de teu recolhimento. Não me contas novidades quando não pergunto. E se pergunto é porque me acabo em ânsias de querer ter de ti todos os momentos que não compartilho.
Percebes meu desespero? Consegues ver que, de um jeito inevitável, estou completamente sujeito à tua existência? São vinte e três dias desde que te vi pela última vez. E definho em pensamentos quando me ocorre a possibilidade de que não sentes falta de mim. E me soterra a certeza. Porque nunca dependeste de meu afeto, embora eu saiba que ele lhe é caro, pela tua vaidade.
Notícias da ilha, escrevo em próximas cartas, ou nos postais que lhe envio. Ou apenas deixo que as intenções de notícias se percam entre minhas escritas, para que percebas que, por algum motivo, não andei pensando em ti. (sabes, porém, e eu também sei, que não é verdade).
Notícias do livro, tenho a dizer que ainda não consigo tratar meus personagens como reais, porque me urgem mais meus próprios ais... Como é abstrata a minha dor! E a complexidade de querer-te por inteiro e, ao mesmo tempo, fazer com que tu sofras de saudades, só para sentir que sentes também por mim.
saudades e agonia,
de teu Eduardo
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Você me tem fácil demais
mas não parece capaz de cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
que eu te deixasse em paz
Me disse "vai" e eu não fui...
Não faça assim, não faça nada por mim
Não vá pensando que sou seu
Não faça assim, não faça nada por mim
Não vá pensando que sou seu
Você me diz o que fazer
mas não procura entender
que eu faço só pra te agradar...
Me diz até o que vestir
com quem andar, aonde ir
mas não me pede pra voltar
mas não parece capaz de cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
que eu te deixasse em paz
Me disse "vai" e eu não fui...
Não faça assim, não faça nada por mim
Não vá pensando que sou seu
Não faça assim, não faça nada por mim
Não vá pensando que sou seu
Você me diz o que fazer
mas não procura entender
que eu faço só pra te agradar...
Me diz até o que vestir
com quem andar, aonde ir
mas não me pede pra voltar
5 comentários:
Me sinto tão...
Me sinto só...
Me sinto tão ele!
Tão eduardo
Me sinto tão...
Me sinto só...
Me sinto tão ele!
Tão eduardo
nem vou tentar falar nada demais, pra não estragar qualquer comentário que o texto merece... simplesmente foda.
Tem que ser abstrato para falar de sentimentos e do inexplicável das relações que temos, e que de certa forma, somos. O abstrato de que tantos fogem, finginfo uma soberania racional. Ainda bem que o abstrato está nos olhos das ações mais ingelas e inconscientes...
Sou tão Eduardo...
Bom com borra!!!!
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